Porque a inflação deve subir em 2021

Inflação - Omnia Tecnologia
Por Equipe de Economistas OMNIA

 

Juros Em Alta - Omnia TecnologiaO ano de 2020 terminou com importantes alterações econômicas, sanitárias, comportamentais, que afetam no aumento da inflação.

Sabemos das mudanças mas não como elas impactaram e impactarão a todos. Se uniforme, concentrada em determinados grupos, etc. Mas sabemos que, na política econômica brasileira, mais especificamente, no câmbio, não só mantivemos a tendência altista do dólar frente ao real como a exacerbamos.

A partir de 2012, ainda no primeiro mandato de Dilma Rousseff, o Brasil se deu conta que o dólar barato traria alguns benefícios de curto prazo, mas que a longo prazo o ajuste é sempre mais doloroso e difícil. Do início de 2013 ao final de 2015 a moeda estadunidense quase dobra de preço indo para R$ 3,90 por dólar em 31/12/2015. Mesmo com a queda entre 2016 e 2017, o ano de 2018 trouxe novo vigor na escalada. O esforço do 1º ano do Governo Bolsonaro para conter o movimento altista não foi duradouro.

Desde janeiro de 2020 o dólar está em nova escalada ascendente: o valor de R$ 5,33 por dólar em 30/11/2020 traz inquietações para 2021.

É que variação do dólar é acompanhada pelo IGP-M, índice de inflação que é influenciado em 60% do seu total apenas com a variação do dólar, que é um componente importante de reajustes de preços no marcado atacadista. E com a elevação do dólar, o IGP-M acompanha o movimento altista.

Ocorre que, com algum retardo, o IPCA, que mede a inflação do Governo Federal, busca acompanhar a elevação de preços, agora no varejo. Tem-se, assim, que as mudanças para cima do IGP-M, influenciado pelo dólar, vão ao final, impactar no aumento da inflação oficial do Brasil.

Analisando o gráfico abaixo e acrescentando-se dados básicos para esta mesma informação, destacam-se os seguintes aspectos:

Grafico Inflação - Omnia Tecnologia
Gráfico comparativo 12/2012 à 12/2020.

 

1 – O dólar, a partir do início de 2013 vem sistematicamente aumentando;

2 – O dólar já está até 30/11/2020, 161% mais caro, ou seja, com a mesma quantia de Real se compra apenas 38% do que se comprava em dólar no início de 2013;

3 – O IGP-M, nos últimos 12 meses, aumentou em 24,5%;

4 – O IPCA apresenta comportamento semelhante ao IGP-M, conforme o gráfico, desde o início de 2013, neste ano de 2020 ficou para trás e já vem acumulando desvantagem desde o meados de 2018. Aumento apenas de 11,59% para o IPCA enquanto que para o IGP-M a variação para cima foi de 40,78%.

Está implícita uma inflação represada de quase 20%. Os próximos 24 ou 36 meses serão de ajuste, para cima. O IPCA deve acompanhar o movimento já consolidado em 2020 do IGP-M, para nossa contrariedade.