Do Taylorismo Analógico ao Digital

Por Renato Medeiros ¹

 

Na segunda metade do século XVIII, teve início na Inglaterra a Revolução Industrial, que nas décadas seguintes se espalhou pelo mundo, consolidando o surgimento das grandes indústrias e fortalecendo o sistema capitalista.

Esse novo movimento ocasionou muitas transformações sociais e econômicas na humanidade, mas o processo de industrialização impactou de forma profunda os processos produtivos, as relações de consumo e de trabalho.

No período de 1760 a 1850, a Revolução Industrial se restringia à Inglaterra — a “fábrica do mundo” — e predominava a produção de bens de consumo, especialmente têxteis, e as máquinas a vapor.

Já entre 1850 e 1900, a industrialização se espalha pela Europa e Estados Unidos. Neste período, as indústrias de bens de consumo se expandem e cresce a concorrência. Surgem duas importantes fontes de energia como a elétrica e derivados de petróleo. Os modais de transporte também se revolucionam com o advento da locomotiva e do barco a vapor.

As indústrias da época sofriam com sérios problemas de falta de gestão, que elevavam os custos de produção.

Durante o seu governo, o Presidente dos EUA Teodoro Roosevelt, dirigindo-se aos governadores na Casa Branca, observou profeticamente que “a conservação dos nossos recursos naturais é apenas fase preliminar do problema mais amplo de aumentar a eficiência nacional”.

Eficiência é o conceito relacionado à realização do trabalho da melhor maneira possível, com otimização dos recursos — “fazer mais com menos”.

Nesse contexto, surge a Administração Científica, proposta e implementada pelo engenheiro mecânico estadunidense Frederic Winslow Taylor. Ele é considerado o “pai” da administração por deixar o seu legado de estudos e desenvolvimento de métodos de racionalização do trabalho na indústria.

A partir do início do século XX, Taylor começou a revelar os êxitos

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que conseguira obter, dizendo que todos os administradores podiam conseguir o mesmo, desde que adotassem os princípios científicos que ele defendia.

Taylor registrou mais de 50 patentes de invenção sobre processos de trabalho, máquinas e ferramentas. Ele possuía um perfil muito pragmático e realizador.

O seu livro de 1911, Princípios de Administração Científica, se tornou o grande manual de toda indústria que pretendia melhorar a sua eficiência operacional. Contribuiu de forma real para a indústria, orientando a substituição de processos rotineiros por outros deduzidos por meio de análises prévias, saindo de um modelo baseado no conhecimento empírico para o conhecimento científico.

Taylor (1911), abriu o seu livro afirmando, “O principal objetivo da administração deve ser o de assegurar o máximo de prosperidade ao patrão e, ao mesmo tempo, o máximo de prosperidade ao empregado”.

A proposta básica de Taylor buscava a racionalização da produção com o objetivo de alcançar maiores índices de produtividade e a motivação econômica do trabalhador.

O panorama industrial da época era bastante precário, conforme apresentado abaixo.

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Como não havia treinamento, os operários aprendiam seu trabalho observando os seus colegas, o que ocasionava falta de padrão na produção dos produtos, desperdício de matéria prima, retrabalho e consequente baixa produtividade. As indústrias não possuíam a figura institucionalizada de um supervisor, aquele que deveria conhecer e orientar a maneira mais eficiente de executar a tarefa, o que existia era um “vigia” da linha de produção. O sistema falho de incentivos ocasionava um fenômeno denominado “Vadiagem Coletiva”, onde os operários mais produtivos sucumbiam à preguiça por não acharem justo receber a mesma remuneração de um outro operário menos produtivo.

Para solucionar estes problemas, melhorar a produtividade e eficiência das indústrias da época, Taylor desenvolveu um arcabouço de estudos denominado de Organização Racional do Trabalho (ORT).

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O objetivo principal da Administração Científica é elevar os níveis de produtividade e racionalizar o desperdício. Como o processo foi pioneiro, existem muitas críticas a respeito do método. A maior delas está relacionada ao aumento da produtividade em detrimento do trabalhador; nesse sentido, as atividades simples e repetitivas deram um aspecto robotizado ao trabalho operário.

O Taylorismo não foi superado na gestão de empresas, e esse nem é o desejo dos gestores, pois isso acarretaria uma série de atrasos na capacidade produtiva. Esta teoria foi decisiva para um incremento exponencial da capacidade de produção humana.

O que se superou foi a desumanização como uma convicção descartável.

Um artigo publicado pelo jornal The New York Times insinua que o Taylorismo esteja em alta. Na reportagem a empresa Amazon, uma das mais valiosas do mundo, estaria utilizando métodos Tayloristas para aumentar a sua eficiência operacional.

A versão contemporânea da Administração Científica vem carregada de tecnologia digital e abrange um número muito maior de escalões hierárquicos, saindo apenas do “chão de fábrica” atingindo os trabalhadores das áreas de serviço, gestão do conhecimento e também os administradores.

A tecnologia permite aplicar a Organização Racional do Trabalho em um escopo maior, a fragmentação do trabalho administrativo em tarefas e a análise de tempos e movimentos são elevados a novos níveis.

Nos armazéns da Amazon, um crachá usado pelos operários reporta todo tipo de informações para uma central, incluindo dados sobre se eles estão se movimentando ou parados. O crachá pode monitorar e armazenar uma variedade enorme de funções, incluindo propensão para ouvir e falar.

Outro ponto da ORT que ganha cada vez mais espaço é a remuneração por desempenho, quanto mais as empresas dependem do capital intelectual dos colaboradores, mais tendem a premiar os mais inteligentes com bonificações financeiras.

O legado deixado por Frederick Taylor ultrapassou o seu tempo, a densidade metodológica, que serviu como base para muitas outras escolas da administração, e os expressivos resultados positivos para a gestão empresarial, demonstram que a evolução tecnológica precisa do seu método para se sustentar como ferramenta de gestão. Taylor desenvolveu a administração científica profissional, que contemporaneamente se uniu as tecnologias de informação formando o Taylorismo Digital.

O mundo empresarial real não se desenvolve sem Divisão do Trabalho, Cooperação e Treinamento. O Taylorismo foi repaginado para atender as necessidades atuais do mercado, mas continua sendo indispensável para as organizações desenvolverem e aplicarem o processo Administrativo: Planejar, Organizar, Dirigir e Controlar.

Com a competitividade cada vez mais global a eficiência se tornou uma fator crucial de sobrevivência, e só com a metodologia de Taylor poderão desenvolver estratégias duradouras e sustentáveis para desenvolver esta cultura e aumentar a competitividade.

O Taylorismo potencializado pelas ferramentas digitais tende a ser mais poderoso e transformador do que sua versão analógica.


¹ Renato Medeiros, Administrador e Mestre em Engenharia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professor de graduação e Pós-graduação. Coordenador do curso de administração da Faculdade Borges de Mendonça.

Startups e a Comercialização em Plataformas e Marketplaces

Startup Ideais

Benefícios de Uso de Estrutura no Exterior

Por Luís Rodolfo Cruz e Creuz

Cada vez mais, usuários dos mais distintos sistemas operacionais e de aplicativos acessam lojas, hubs de comércio eletrônico, plataformas, e marketplaces como Amazon, Googleplay, Apple Store, E-bay, Ali Express, Shopify, Jingdong, Rakuten, dentre tantas outras.

O universo empresarial sofre, cada vez mais e com maior velocidade, mudanças e diminuições de barreiras, ampliadas e aprofundadas pela popularização e maior acesso da população mundial à internet.

Empreendedores e startups estão cientes desse movimento.

Alfred P. Sloan Jr., por volta de 1918, já alertava sobre questões de crescimento, dificuldades, obstáculos, problemas e soluções. Para ele, “crescimento e progresso estão relacionados, uma vez que não existe um lugar de descanso para uma empresa numa economia competitiva. Obstáculos, conflitos, novos problemas em várias formas e novos horizontes surgem para agitar a imaginação e continuar o progresso da indústria. (…) O espírito empreendedor é perdido na inércia da mentalidade avessa a mudanças. Quando essas influências se desenvolvem, o crescimento pode ser detido ou entrar em declínio, devido à incapacidade para reconhecer avanços da tecnologia ou novas necessidades dos consumidores, ou talvez por uma concorrência mais viril e agressiva.”

Contudo, muitas vezes a localização dos bens e o fluxo de pagamentos pode comprometer negócios que não estejam preparados ou corretamente estruturados, ou ainda podem literalmente “corroer” os recebíveis e rendimentos por conta de altas taxas de transferência internacional e de conversões de moedas.

Como me preparar para iniciar uma Startup?

Um bom planejamento de negócios certamente envolverá (ou deveria envolver) um estudo mais aprofundado de custos de venda de mercadoria, inclusos os custos transacionais (tanto nacionais quanto estrangeiros). Sabemos o custo e o impacto que a carga tributária imposta pelo Estado à sociedade geram. Sabemos, igualmente, que não podem ser desprezados e por muitas vezes são determinantes na escolha da forma que um determinado agente econômico conduz seus negócios, chegando ao extremo de determinar a inviabilidade de determinada opção empresarial. Ronald Coase leciona: “A forma como a indústria está organizada depende, portanto, da relação entre os custos de realização de transações no mercado e os custos de realização das mesmas operações dentro da empresa que pode realizar essa tarefa com o menos custo.” Ora, dentre os inúmeros custos envolvidos nas operações da empresa, os tributários não podem ser relevados, e sim, contabilizados e analisados à exaustão.

Impostos e custos bancários devem fortemente ser avaliados. E uma startup que tem como meta crescimento e escalabilidade deve obrigatoriamente levar estes pontos em consideração em suas premissas.

E neste ponto surge outra questão relacionada quanto se pensa que muito deste comercio passa digital ou fisicamente pelo mercado norte-americano. Trata-se da necessidade de identificação perante o Fisco norte-americano, o chamado “Tax ID”. Este é o número fiscal dos EUA que também é necessário também para abertura de conta bancária corporativa nos EUA, além de ser exigido para realização de outras negociações comerciais naquele país – como por exemplo para disponibilizar conteúdo para venda em plataformas locais ou globais como citado.  E mesma e preocupação vale ao Reino Unido – lembramos que importante variável que a partir de 1º de janeiro de 2021 as novas regras aplicáveis a vendas entre o Reino Unido e a União Europeia entraram em vigor, dado que o período de transição do Brexit terminou em 31 de dezembro de 2020.

Aqui entra uma grande facilidade de utilização de estruturas internacionais.

Tanto uma empresa registrada nos EUA ou no Reino Unido oferecem um número de registro fiscal da empresa e com ele, o titular da empresa (o negócio) pode regularmente se registrar e realizar transações regulares em vários websites de e-commerce.

Ademais, com a devida inscrição e número fiscal de uma empresa registrada nos EUA ou Reino Unido, fica muito mais facilitado o processo de abertura de conta bancária corporativa para o empresário (tanto em questões de compliance quanto de cadastro e relacionamento bancário).

Abrir uma empresa no exterior é muito simples, especialmente mediante as vantagens oferecidas por ela como a abertura de uma conta bancária internacional e proteção patrimonial, entre várias outras. É imprescindível saber que incorporar, constituir, possuir, manter ou ser titular de uma empresa no exterior é, no atual cenário regulatório brasileiro, absolutamente possível, real e legal.

E com isso é importante que a startup e/ou o empresário busquem e contem com apoio profissional, que inclusive apresente formas de diversificar no exterior como forma de redução de riscos pessoais e patrimoniais. Afinal, não é ilegal abrir uma empresa, conta bancária ou ter patrimônio no exterior desde que a legislação do país permita e o cidadão faça corretamente a declaração de tais bens e direitos e que declare seu Imposto de Renda, pagando os impostos devidos relacionados às operações internacionais. Nem mais, nem menos, sempre conforme planejamento lícito estudado e estruturado previamente.

Assim, se o empresário sonha em potencializar e escalar suas vendas e faturamento, é importante saber que será necessário cumprir com as exigências das lojas, plataformas virtuais e marketplaces. O custo para abertura regular de uma empresa nos Estados Unidos ou Reino Unido certamente será relativamente baixo se comparado à potencialidade que o mercado virtual pode oferecer.

A atual possibilidade / facilidade de se constituir uma entidade legal em qualquer lugar do mundo, outorga maior flexibilidade ao empresário, maior escolha do ambiente regulatório mais favorável, maior proteção cambial e política e maior segurança jurídico-institucional, sempre tendo em vista que a operação do negócio deve guardar e respeitar o devido “propósito negocial”.

Por fim, lembramos que muitas destas lojas, plataformas virtuais e marketplaces não exigem que a empresa tenha uma conta bancária nos Estados Unidos ou no Reino Unido, conforme o caso. Ou seja, a receita de vendas realizadas e apuradas pode ser recebido em contas bancárias em localidades distintas, conforme a conveniência do próprio empreendedor (naturalmente recomendamos alguma jurisdição que mantenha contas em moeda norte-americana para fugir do custo bancário e monetário de conversão desnecessária de moeda). Um bom planejamento jurídico fiscal certamente contribui para a escolha de sua startup.